Artigo científico sobre transterritorialidade criminal e mobilidade urbana em Salvador é publicado na Revista Bahia & Análise
24 de março de 2025

Um estudo sobre a relação entre transterritorialidade criminal e mobilidade urbana em Salvador foi publicado na Revista Bahia & Análise. O artigo, produzido pelos associados da Força Invicta, Maj PM Éder Silveira Rosário, Maj PM Kleberson Cunha de Menezes e Cap PM Roberto Bomfim da Fonseca, investiga a dinâmica dos roubos de veículos na capital baiana e na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Com base em anos de experiência prática e análise de dados, os autores exploram como a estrutura urbana influencia os padrões da criminalidade, identificando rotas do crime e propondo estratégias eficientes para a prevenção desses delitos.
Os autores destacam:
“A estrutura urbana de Salvador influencia diretamente os padrões criminais, tornando essencial a análise de rotas do crime para desenvolver estratégias preventivas mais eficientes”.
A partir da entrevista concedida por eles à entidade, é possível aprofundar as motivações, desafios e soluções apresentadas no estudo, trazendo uma análise detalhada sobre o impacto da mobilidade urbana na segurança pública e a importância de políticas preventivas voltadas à redução da criminalidade.
Confira a entrevista completa com os autores a seguir. O artigo científico está disponível na Revista Bahia & Análise.
Disseminação de conhecimentos e valorização da produção científica do associado
A Força Invicta tem como objetivo promover a disseminação do conhecimento e valorizar a produção científica de interesse da categoria. Por isso, incentivamos nossos associados a contribuir ativamente com publicações relevantes para a área. Para solicitar a publicação de um artigo, entre em contato pelo e-mail falecom@forcainvicta.org.br.
Entrevista com os autores
Força Invicta – O que motivou vocês a pesquisarem a relação entre transterritorialidade criminal e mobilidade urbana em Salvador?
Autores: Esse trabalho é resultado de vários anos de atuação em unidades de policiamento especializadas, como a Operação Apolo, posteriormente transformada em Batalhão de Prevenção a Furtos e Roubos de Veículos. Nossa principal atividade era analisar esse fenômeno para aplicar táticas e estratégias de prevenção mais eficazes. Durante essa experiência, percebemos a forte presença da transterritorialidade criminal, evidenciada pela circulação de criminosos habituais que utilizavam os principais corredores viários da capital para deslocar veículos roubados até outras localidades. Esse cenário motivou um projeto de intervenção e deu continuidade aos estudos que resultaram no artigo publicado.
Força Invicta – Como a mobilidade urbana influencia os padrões da criminalidade na cidade?
Autores: Há diversos estudos que mostram como o design urbano pode contribuir para a prevenção do crime. No nosso trabalho, focado especificamente na dinâmica dos roubos de veículos, observamos mudanças nos registros estatísticos em áreas que passaram por intervenções viárias. Esse fenômeno é explicado pela Teoria do Padrão Geográfico, de Kim Rossmo, e pelos estudos de Oscar Newman sobre espaços defensáveis. Essas referências foram fundamentais para entendermos como a mobilidade urbana interfere diretamente na incidência criminal.
Força Invicta – Quais desafios a polícia enfrenta para monitorar crimes que envolvem deslocamento entre bairros ou regiões da cidade?
Autores: Salvador possui a segunda maior frota de veículos do Nordeste, combinada com uma geografia complexa e uma rede viária altamente diversificada. Isso cria múltiplas rotas possíveis para a mobilidade criminal, dificultando o monitoramento e a atuação policial. Para enfrentar esse desafio, a Polícia Militar precisa ir além da simples presença ostensiva, desenvolvendo estratégias preventivas baseadas no estudo do mosaico urbano, na política de mobilidade e na análise dos fatores que influenciam as oportunidades e os custos da atividade criminosa. O emprego de tecnologias como videomonitoramento com reconhecimento de placas, drones e sistemas integrados de inteligência também se mostra essencial nesse cenário.
Força Invicta – Como a expansão do crime afeta a sensação de segurança da população?
Autores: A sensação de segurança é influenciada tanto pela repercussão dos crimes quanto pela experiência direta de violência ou prejuízo. O medo do crime também é reforçado pela percepção do ambiente, especialmente em locais com alta incidência criminal e uma aparente impunidade dos infratores. Esse clima de insegurança afeta a rotina dos cidadãos, prejudicando a mobilidade, o comércio e a qualidade de vida nas regiões mais vulneráveis.
Força Invicta – Existe uma relação entre crescimento urbano desordenado e aumento da transterritorialidade criminal?
Autores: Sim. O crescimento urbano desordenado favorece o surgimento de “hotspots” criminais — áreas com alta concentração de delitos —, especialmente em locais onde o Estado não consegue acompanhar esse crescimento com políticas públicas e infraestrutura adequadas. Esse cenário transforma a dinâmica social e criminal e impõe grandes desafios às ações preventivas da polícia. Por isso, o acompanhamento contínuo da mobilidade criminal e a análise de variáveis socioespaciais tornam-se essenciais para o planejamento estratégico da segurança pública.
Força Invicta – Com base na pesquisa, quais políticas públicas poderiam reduzir os impactos da transterritorialidade criminal?
Autores: Como o crime é um fenômeno dinâmico e multifatorial, não existe uma política pública única ou definitiva aplicável a todas as regiões da capital. A proposta do nosso trabalho é fornecer dados e análises que subsidiem intervenções específicas, focadas em aumentar os riscos e dificultar as ações criminosas. Inspirados nos estudos de Oscar Newman, defendemos o uso do design ambiental como ferramenta de prevenção, através da criação de barreiras físicas e simbólicas, reforço à vigilância natural, sistemas de monitoramento, além da manutenção, iluminação e limpeza de espaços públicos, especialmente nos principais corredores viários da cidade.
Força Invicta – Como a sociedade civil pode contribuir para tornar a cidade mais segura frente a essa dinâmica criminosa?
Autores: A segurança pública é um dever do Estado, mas também um direito e responsabilidade de todo cidadão. A participação da sociedade civil organizada é essencial para fortalecer as ações das forças de segurança, seja através de ferramentas como o Disque Denúncia, da colaboração com o compartilhamento de imagens de câmeras de segurança particulares, ou da criação de Conselhos Comunitários de Segurança. Essa cooperação promove uma rede de apoio que ajuda na prevenção e elucidação de crimes, tornando a cidade mais segura para todos.
Conheça os autores
Maj PM Éder Silveira Rosário
Especialista em Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar da Bahia (APM-BA). Graduado no Curso de Formação de Oficiais Policiais Militares (CFO-PM) pela Policia Militar da Bahia (PMBA). Major do Quadro de Oficiais Policiais Militares. Atualmente, é Comandante da 83ª CIPM/ Barreiras.
Maj PM Kleberson Cunha de Menezes
Especialista em Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar da Bahia (APM-BA). Graduado em Direito pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Major do Quadro de Oficiais Policiais Militares. Atualmente, é Comandante da 29ª CIPM/ Seabra.
Cap PM Roberto Bomfim da Fonseca
Especialista em Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar da Bahia (APM-BA). Especialista em Gestão Pública pelo Instituto Facuminas Ead Ltda (Facuminas). Graduado no Curso de Formação de Oficiais Policiais Militares (CFO-PM) pela Policia Militar da Bahia (PMBA). Capitão do Quadro de Oficiais Policiais Militares.
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